Além da cidade: o que conhecer na região de Córdoba, Argentina

Depois de 760km percorridos em mais de 9h de viagem desde a região de Mendonza, chegamos à região de Córdoba. Da região desértica da Argentina, fomos para uma área fértil e produtora. Aqui reunimos o que você não deve deixar de conhecer nesta bela área turística.

Na viagem, notamos a paisagem de montanhas de pedra e terra gradualmente se transformando em planícies cobertas de verde, soja, milho e outros grãos. Passamos por três pedágios e, na região de San Luiz, nosso veículo foi submetido a uma descontaminação que custou 65 pesos (cerca de R$6,5) e que tem o objetivo de evitar contaminação de frutas e materiais orgânicos.

Aqui, conhecemos Vale de Calamuchita, enorme e tranquilo vale montanhoso de cenário espetacular. Uma das regiões mais belas da Argentina, com ótimas cidades para conhecer.

Villa General Belgrano

População: 6.280 habitantes
Diferenciais: Capital Nacional da Cerveja; gastronomia centro-europeia; paisagens montanhosas

Escolhemos a cidade Villa General Belgrano como nossa base para visitar a região de Córdoba. Não queríamos ficar na capital da província e sim em um lugar mais calmo. General Belgrano fica a 80km de Córdoba. Nos hospedamos em um hotel em meio à natureza, o Blackstone Country Villages, que nos proporcionou um bom descanso em um lugar confortável.

A cidade é muito turística, marcada pelo estilo germânico na arquitetura e fortes traços da imigração alemã na cultura. Foi uma mudança e tanto dos perfis das cidades que havíamos visitado até então em nossa road trip. Nos lembrou de Gramado, no Rio Grande do Sul.

Por uma feliz coincidência, quando chegamos estava acontecendo o Sommerfest, uma espécie de ‘Oktoberfest’, repleta de shows de danças e, claro, muita cerveja. Tudo isso na Plaza José Hernández, a principal da cidade. Apesar do frio que fazia, deu para nos divertir um tanto com as apresentações de músicos e dançarinos. Caímos na tentação da Capital Nacional da Cerveja e experimentamos uma das muitas ofertas das barracas estabelecidas na praça para o evento.

Em seguida, fomos jantar no Restaurante Ottilia, mas o cansaço era tão grande que só comemos uma entrada e fomos descansar.

Por fim, a Villa General Belgrano é uma cidade muito acolhedora, repleta de músicos de rua. É muito turística e onde muitos moradores da cidade de Córdoba vão passar o verão. Foi uma ótima escolha para a nossa estadia, já que ela é ‘central’ na microrregião turística de Córdoba.

No dia seguinte, optamos por visitar o pequeno povoado La Cumbrecita, a 40km.

Antes de chegar na cidade, porém, paramos para visitar vinícola Vinícola Finca Atos, pioneira no Vale de Calamuchita. A bodega trabalha com 7 variedades de cepas em 7 hectares de uma bela propriedade. Vale a visita!

La Cumbrecita

População: 1.000 habitantes
Diferenciais: Cidade Peatonal; ecoturismo; belezas naturais

O que mais chama atenção do vilarejo é que ele é peatonal, ou seja, só se entra a pé (exceto moradores e hóspedes de hotéis). Lembra uma cidade de contos de fadas com suas lindas paisagens e construções singelas. Caminhamos muito e conhecemos lugares lindos. É uma área ambiental protegida e com diversas opções de ecoturismo, como escaladas e trilhas.  Se tornou uma reserva natural de uso múltiplo com a Lei Provincial 8476. É um ótimo lugar para descontaminação digital, para se conectar com a natureza e relaxar.

*O lugar era um ‘campo perdido’ no coração das serras grandes de Córdoba. Em 1932, o alemão Helmut Cabjolsky, que trabalhava para Siemens, foi transferido de Berlim para Buenos Aires. Em 1934, lhe foi oferecido 500 hectares de terra nas serras, onde sua família começou a construir casas de veraneio para familiares e amigos europeus. Começa, então, a se formar um pequeno vilarejo em estilo alpino… é o início de La Cumbrecita.

Deixamos o carro no estacionamento do povoado, onde pagamos 250 pesos (R$25 reais) que se revertem em investimentos para o turista (banheiros, placas, lixeiras, internet, etc) e também ajuda na preservação do local. Apesar disso, notamos que há muitos turistas e o controle de capacidade de carga deveria ser reforçado.

Por fim, comemos no La Colina Restaurante e Suítes.  A história dos proprietários do restaurante é um tanto impressionante. Tudo começou quando, em 1985, o vendedor de carros Ricardo Nogueira é convidado por um cliente para trabalhar em um hotel, onde ficou por cinco anos. No ano de 2000, resolveu abrir um restaurante no vilarejo. Com o crescente turismo e consequente demanda de lugares de hospedagem, passou a alugar o próprio quarto na sua casa para turistas. Aos poucos, foi crescendo e hoje é um dos lugares mais interessantes de hospedagem e alimentação de La Cumbrecita. Foi onde tivemos uma das melhores refeições de toda a nossa viagem!

O chef do restaurante é seu próprio filho, Rodrigo. Seu outro filho é responsável pela locomoção dos turistas até o local, que fica numa colina, por uma Land Roover. O trajeto é feito de forma gratuita.

O melhor de tudo é que Ricardo e Maria Claudia, sua esposa, são, como nós, viajantes maduros! Relatam experiências de viagem no blog El Garage.

No terceiro dia, seguimos até a cidade de Córdoba.

Córdoba

População: 1.391 mi habitantes
Diferenciais: monumentos e lugares históricos; uma das principais cidades da Argentina

A segunda cidade mais populosa da Argentina, abaixo apenas de Buenos Aires, Córdoba se destaca por ser uma cidade repleta de atrativos históricos. É organizada, limpa e, pelo que notamos, muito segura.

Lá, visitamos a Iglesia del Sagrado Corazón, conhecida também como Iglesia de los Capuchinhos e eleita a Primeira Maravilha Artificial da Cidade. Sua construção data de 1926 a 1934. É uma majestosa igreja de estilo neogótico, ornamentada com estátuas de Moisés e de São João Batista. Foi, sem dúvidas, a igreja que mais nos impressionou. Foi construída pelo arquiteto Augusto Ferrari, italiano radicado em Buenos Aires. Além de arquiteto, Ferrari era um artista e pintor e foi o responsável por conceber uma igreja espetacular, colorida e única no estilo neogótico. Fizemos um tour pela igreja, subimos até a segunda coluna mais alta (182 degraus), conduzidos pela guia Silva. A construção lembra bastante catedrais da Europa.

Também conhecemos a bela Catedral de Nuestra Señora de La Asunción de Córdoba, localizada no centro histórico da cidade. Foi construída em 1582 e consagrada em 1784. Se o exterior de igreja é um tanto atraente, o interior também não deixa a desejar.

Um lugar imperdível de se conhecer na cidade é a Manzana Jesuítica, o ponto mais conhecido da cidade. É um quarteirão com diversos prédios históricos, como a Igreja da Compañia de Jesus, a Capilla Doméstica, a residência dos jesuítas, a Universidade Nacional de Córdoba e o Colégio Nacional de Montserrat. A Manzana foi considerada nos anos 2000, Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. A entrada é 20 pesos argentinos (cerca de R$2) e a visita é um rico passeio pela história da cidade. Vale lembrar que Córdoba foi palco principal do trabalho dos jesuítas da Ordem da Companhia de Jesus no país. Curiosidade: a Igreja da Compañia de Jesus foi onde estudou Jorge Mario Bergoglio, antes de tornar-se o Papa Francisco.

Após o dia de visita em Córdoba, voltamos ao nosso hotel em Villa Belgrano.

No quarto dia, ficamos no hotel trabalhando – afinal, somos velhos ‘nômades digitais’ e trabalhamos com uma atividade muito relacionada aos jovens, mas que tem sido a forma de podermos ficar mais tempo em viagem. Ao fim do dia, aproveitamos o clima apaixonante da pequena cidade, com diversos shows de artistas de ruas, ótimas opções de restaurantes e vasta quantidade de pratos diferentes.

No dia seguinte, era dia de partir. Mas, antes, percorremos o Camiño de Las Altas Cumbres, um belo atrativo da região de Córdoba. Este caminho é um dos melhores trajetos que a região tem a oferecer, permite a contemplação das belas ‘Altas Cumbres’. Cumbres significa ‘cimeiras’, cumes e topos.  As lindas paisagens valem a visita.

Para despedir-nos da região de Córdoba, visitamos Alta Gracia, um simpático município conhecido principalmente por ter tido Ernesto Che Guevara como morador durante a infância do revolucionário.

Visitamos a casa, que hoje é o Museo Casa del Che, e que busca retratar com histórias a personalidade do argentino durante sua infância. Muito interessante perceber as diferentes facetas de um personagem tão controverso como Che Guevara.

Conclusão

Córdoba é uma região desenvolvida, de alta qualidade de vida e com ótima estrutura. Vale a pena visitar pela história, pelo peso cultural da cidade e influência em toda a Argentina, pelas belezas paisagísticas e pelos traços da cultura da imigração europeia na região. A comida segue sendo barata e ‘abundante’: no último dia, pedimos um sanduíche cada em um restaurante e tivemos que levar duas metades para a viagem. Há também muita oferta de cerveja de qualidade, para os amantes da bebida.

As estradas são maravilhosas, ótimas para qualquer road trip. Há muitos policiais na estrada, mas poucas intervenções. É importante ressaltar que nossa experiência com a polícia argentina é completamente positiva. Os policiais que encontramos mostraram ser profissionais prestativos e que fizeram sentir-nos seguros e bem orientados.

mportante:

O Viajante Maduro viaja como ideal de vida e profissão.

Esta matéria contou com a colaboração da jornalista Júlia Beatriz de Freitas.

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