Antofagasta, cidade chilena símbolo de resiliência

Depois de San Pedro do Atacama, fomos conhecer Antofagasta, a maior cidade da região Norte do Chile. Litorânea e desértica, é cidade valente por prosperar em região um tanto inóspita.

O turismo, para nós, é feito de histórias. Sem histórias do passado e do presente, o local perde um tanto do seu sentido e valor atrativo. Acreditamos que, em muitos destinos, as trajetórias das pessoas são as maiores atrações do local. Uma que muito nos marcou nesta viagem foi a história de Guillhermo e Daniela, um casal de venezuelanos que moram em Antofagasta.

Os dois saíram de seu país natal em busca de condições dignas de vida. Daniela, de apenas 23 anos, trabalha para sustentar, a distância, sua mãe e seu irmão pequeno. Sua mãe viaja para Colômbia para comprar coisas básicas, como comida.

Após frustradas tentativas de conseguirem emprego no Equador, ouviram falar de oportunidades na cidade de Antofagasta. Embarcaram, então, em uma viagem de 17 dias de ônibus até o destino, onde hoje moram.

Acreditamos que a trajetória do casal venezuelano que conhecemos em Antofagasta se assemelha em muito à braveza da própria cidade. Antofagasta, cidade valente e brava, como o jovem casal.

Guillhermo e Daniela, em meio à plantação de Narcisos

Em San Pedro do Atacama, chegamos a atingir cerca de 4.700 metros de altitude. Em Antofagasta, baixamos este número para 10. É uma mudança brusca de condições climática e nos fez emergir verdadeiramente em um clima desértico.

Em Antofagasta, todas as árvores plantadas são resultadas de trabalho humano. Nada cresce sem irrigação constante, nada cresce naturalmente. Nem cactos. Os moradores do local controlam e cuidam com apreço as numerosas áreas verdes, constituídas de praças e jardins por toda a cidade, com irrigação artificial.

A população vive basicamente do pescado. Recentemente, um produtor começou a plantar verduras e legumes em estufas que abastecem a cidade. Tubérculos, batatas e frutas vêm de outras cidades.

“Prosa poética en tierra seca de gargantas castigadas por el
polvo y ojos cegados por la belleza de horizontes rojizos que
saludan a la noche más brillante. Gargantas demasiado secas
y agrietadas como para cantar los encantos de esta tierra”

Daniela Jarufe Contreras, 33 años, Antofagasta

A água é contaminada com salitro, por isso, só se bebe água de garrafas. Apesar disso, é a água utilizada para banho e preparo de alimentos – o que nos deixou um pouco receosos, e um tanto preocupado com os efeitos a longo prazo desta contaminação nos moradores que utilizam a água diariamente.

É uma cidade primordialmente constituída de etnias indígenas, e posteriormente dominada pela Espanha e pela Inglaterra, esta última interessada em explorar o rico potencial de minérios da região. Junto de uma leva de imigrantes de outras nacionalidades (como a China), passaram a extrair o cobre e, atualmente, o grande recurso do local é o lítio.

O que conhecer em Antofagasta

Mano del Desierto: linda escultura que se destaca na paisagem do deserto. É obra do artista chileno Mario Irarrázabal e mede 11 metros. Um pouco afastada da cidade, mas compensa a visita.

La Portada: uma formação rochosa no meio do mar que ganhou formato de um portal de 43 metros. É local também de observação de aves nativas. Linda paisagem!

Terminal Pesqueiro: nos encantou o vaivém dos barcos e a movimentação do comércio de peixes. Há muitos restaurantes pelo local e também é possível realizar um passeio pela orla, que custa cerca de 3 mil pesos por pessoa (em torno de 21 reais). Não chegamos a realizá-lo por causa do forte e ‘castigante’ sol do meio-dia, que me causou até tontura e mal-estar.

No terminal foi onde comemos pratos tradicionais do lugar: peixe frito e ceviche. *

 

Mercado Público: Repleto de restaurantes e barracas. Acreditamos que os mercados públicos das cidades sempre transmitem, um pouco da ‘alma’ do lugar.

Ruínas de Huanchaca: Diferentemente de outras da América do Sul, essas ruínas não remetem a civilizações antiguíssimas. São exceção: o local funcionava como uma grande mineradora em 1893 e foi abandonado em 1902, menos de uma década depois. No lugar também funciona um Centro Cultural, cuja entrada custa cerca de 2 mil pesos. Lá também nos encantamos com uma grande ‘mostra’ de flores Narcisos. Foi onde conhecemos o casal venezuelano e onde nós refletimos sobre a resiliência de um povo que batalhou pela vida, como as flores no deserto, em lugares difíceis de viver.

Museo de Antofagasta: para saber a bela história da cidade que prosperou entre o Oceano Pacífico e as condições inóspitas do deserto.

Centro da cidade: Na Plaza Cólon é possível se deliciar com a organização do lugar e ótimo estado de conservação dos espaços públicos da cidade. Há a Catedral de Antofagasta, uma fonte e a bela Torre do Relógio. A arquitetura da cidade recebeu forte influência da imigração da Inglaterra.

*Observação: achamos as refeições de Antofagasta com preço razoável – cerca de 70 reais por pessoa. Em todos os lugares, o atendimento foi excepcional.

Nos hospedamos no Geotel, até agora a melhor estadia de nossa viagem. Ótimo custo-benefício e localizado junto ao mar. Todos os quartos contam com vista para o oceano. Café da manhã e jantar servidos no hotel de altíssima qualidade.

Por fim, partimos de Antofagasta certos de que a vida é forte e grandiosa. Com o casal venezuelano e com os habitantes da cidade aprendemos que a resiliência é uma das características mais valorosas da humanidade. Memórias, paisagens, pessoas e a cultura de lugares assim faz-nos lembrar do que o turismo tem de melhor.

Importante:

O Viajante Maduro viaja como ideal de vida e profissão.

Esta matéria contou com a colaboração da jornalista Júlia Beatriz de Freitas.

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