Atacama: destino para viajantes maduros dispostos a se aventurar

San Pedro do Atacama, no Chile, é uma cidade feita para turistas jovens e ‘maduros’ que estejam dispostos a se aventurar e sair da zona de conforto.

Ainda apaixonados pelo Norte da Argentina, pegamos a ‘Ruta 52’ e fomos em direção a San Pedro do Atacama, no Chile, para visitar a região do deserto mais seco do mundo.

Assim que chegamos percebemos que a maior parte das visitações às atrações turísticas são mediadas por agências de turismo. Isto porque o desbravamento da região não é tão facilitado quanto na Argentina, onde pudemos fazer praticamente todos os passeios de maneira independente. Por eu trabalhar com turismo, em geral não contratamos guias turísticos por alguns motivos: economia, flexibilidade e roteiro individualizado. Apesar disso, valorizamos o trabalho de agências especializadas, que colaboram com o fomento da movimentação turística. No Deserto do Atacama muitas das atrações necessitam de guia para que tudo ocorra de forma segura.

Para os que, como nós, preferem fazer ‘por conta’, existem algumas opções de passeios que, com um carro e munidos do aplicativo Waze, são possíveis. Quem vem de carro deve se atentar para quais são os atrativos que podem ser feitos de carro ou não.  Os hotéis entregam mapa com localização. De caminhonete é mais fácil, dá pra ir em todos os passeios. Sempre com cuidado, claro. Há muitos animais nos trajetos e, em determinadas épocas do ano, camadas de gelo.

Prevalece, entretanto, a atuação das agências. O cenário em San Pedro do Atacama é de muitas vans de agência percorrendo todos os caminhos.

Chegamos à noite em San Pedro do Atacama. De cara, percebemos que o convívio no centrinho da cidade é significativo. Feiras de artesanatos, restaurantes, bares e outros locais reúnem turistas e moradores locais diariamente, dando ‘vida’ à modesta cidade. Achamos com facilidade uma casa de câmbio para adquirir pesos chilenos. Percebemos que a cotação compensa quando se troca dólar, e não real, pelos pesos.

Uma das primeiras coisas que notamos foi a brusca mudança de preços da Argentina para o Chile. Nos assustamos quando pagamos cerca de 14 reais em uma garrafinha de água de um restaurante. Enfim, fomos jantar e a conta final da refeição nos fez decidir que, diferentemente da Argentina, não ia ser possível comer fora todo dia.

Dormimos e no dia seguinte fomos ao nosso primeiro destino escolhido: as Termas de Puritama.

As Termas de Puritarma estão localizadas no meio de um cânion na região do Deserto do Atacama. Suas águas mornas possuem minerais benéficos para corpo e mente, como cálcio, magnésio e sódio. O cenário do lugar é mágico e os banhos tomados relaxantes e restauradores: perfeitos para quem está fazendo uma road trip pela América Latina.

A distância da cidade ao local gira em torno de 20km de uma estrada semiasfaltada em ótimas condições.  A nossa dica é chegar no local por volta de meio dia, que não é horário de agências chegarem e o tempo de fila é menor. Chegamos por volta das 11h, ficamos uma hora na fila e entramos.  Paguei 5 mil pesos (cerca de 35 reais) na entrada e Rômulo, por ser aposentado, pagou a metade deste valor. *Outra diferença da Argentina: com menor estrutura, para visitar os cerros e outras atrações no país Hermano, pagávamos cerca de 10 reais por passeio.

Conseguimos tomar banho nos lagos com água termal, que emergem do ventre da Terra e nos faz sentir-nos conectados com a Natureza. O local conta com banheiros e vestiários, mas não há lanchonetes. Por isso, recomenda-se levar um lanchinho pra passar o dia tranquilo. Outra dica importante: passe bastante protetor solar!

Optamos por reservar o dia para as termas em nosso primeiro dia em San Pedro Atacama. Também porque estávamos inseguros em relação a quais passeios faríamos (e se com agência ou não).

No dia seguinte, contratamos os serviços da operadora de turismo Flávia Bia, que, além de conduzir as visitas, também recepciona os turistas com café na manhã na Laguna Tuyajto e almoço na agência. Ela também nos busca no hotel cedo.

Tomamos café contemplando a belíssima paisagem da Laguna Tuyjato e de lá, fomos ao mirante de Piedras Rojas, uma formação geológica vulcânica formada a partir da oxidação do ferro presente no lugar.  Linda paisagem, onde se observa desde aves até vicunhas e também os lagos salgados quentes da região.

O local é administrado por uma comunidade indígena, que decidiu fechar o local para visitações após um kitesurfista brasileiro praticar o esporte no local em um quadro para o programa Kite Extremo, do Canal Off. Por isso, atualmente a paisagem é contemplada através de um mirante próximo ao local.

Em seguida, fomos às Lagunas Altiplânicas.

As Lagunas Altiplânicas estão a 115km de San Pedro, na Reserva Nacional Los Flamencos. A entrada no lugar custa 5 mil pesos chilenos (cerca de 35 reais). São duas lindas lagoas: Miscanti e Miñique.

As lagunas estão a mais de 4 mil metros acima do nível do mar e estão localizadas no sopé dos vulcões e da Cordilheira dos Andes, formando um cenário espetacular. As lagunas também atraem diversos tipos de animais nativos, como os flamingos, que dão nome à reserva.  Belíssimo lugar!

Em seguida, fomos ao Trópico de Capricórnio, onde há a marcação exata de onde o trópico cruza com a antiga Trilha dos Incas, que vai até a Bolívia. Nos impressionou muito a trilha e foi onde entendemos melhor como o Império Inca, tão grande e forte, foi derrubado por poucos espanhóis

Depois do almoço na agência, saímos para visitar o conhecido Valle de La Luna. A origem de seu nome é explicada por suas extravagantes formações geológicas semelhantes à lua. Montanhas arenosas, dunas enormes e paredões de sal formam a paisagem. A entrada foi 5 mil pesos (cerca de 35 reais) adulto e metade deste valor para aposentado.

Lá, também visitamos a nossa primeira caverna, uma caverna de sal. Foi uma caminhada de cerca de 20 minutos. Importante lembrar que para o percurso é necessário levar lanterna (pode ser do celular)! As sinuosidades das entradas tornam o lugar ainda mais belo e interessante. É também um tanto desafiador, já que as passagens são estreitas e, em alguns momentos, tivemos que nos agachar para conseguir passar.

Também passamos por outras formações como a “Los Vigilantes o Tres Marias”, com aproximadamente um milhão de anos e que lembra três mulheres orando em diferentes posições. Esta era a última parada, quando voltamos o trajeto percorrido e resolvemos subir até o Mirador Achaches. (dá pra visitar com o mesmo ingresso do Valle de La Luna). A subida é um tanto cansativa, cansaço atenuado pelos efeitos da altitude de cerca de 2 mil metros. Exige preparo físico, calma e muita respiração! Mas a vista do local do pôr do sol compensa, com certeza.

Depois disso, dirigimos por volta de 20 km para visitar o Mirante do Coyote, de acesso mais fácil.

Foi a nossa despedida de San Pedro do Atacama, apesar deste destino ainda oferecer diversos outros passeios que valem a pesquisa durante a montagem do roteiro. Entre eles, os ‘Geysers del Tatio’, o vulcão Licancabur e o sítio arqueológico Pukará de Quitor.

Curiosidade: Viajamos ao Atacama na época do Inverno Altiplânico, que ocorre entre os meses de janeiro e março, onde são comuns chuvas, alterações entre frio e calor, além de fenômenos climáticos como a ocorrência de neve em pleno verão.

A energia da cidade de San Pedro vem do petróleo de duas usinas. Diariamente, a cidade fica alguns minutos sem luz que é quando é feita a troca: quando acaba combustível em uma, é reposta pela outra.

Infelizmente, não pudemos conhecer o projeto ALMA, um projeto de observação espacial que reúne pesquisadores do mundo todo. Para ser feito este passeio, que é gratuito, a reserva deve ser feita com muita antecedência. Nós tentamos um mês antes e ainda assim não conseguimos.

Por estarmos no inverno altiplânico, com nuvens e chuvas, também não pudemos também realizar a observação astronômica, feita à noite pela agência Space, empresa fundada por um astrônomo aposentado e agência a mais profissional e bem-conceituada para observação de estrelas do local.

Concluímos que San Pedro do Atacama é destino ideal de turismo de aventura para jovens, mas também para ‘maduros’. Encontramos, inclusive, um jovem gaúcho levando seu pai idoso para os passeios. Muitos estrangeiros (principalmente franceses e alemães). A paisagem do local é única, tem uma história atraente, e o principal: é um desafio. As caminhas em altitude que exigem muito mais, as subidas em relevos íngremes para chegar nos pontos principais tornam tudo uma grande aventura.

Enfim, partimos com um sentimento de felicidade de superação de desafios e de conhecer paisagens singulares. Mas também reconhecemos com um pouco de tristeza a situação em que se encontra a cidade, completamente envolta por uma comercialização exacerbada do turismo. Há cerca de 300 agências de turismo na cidade, muitas delas irregulares (por isso, pesquisar bem antes de contratar uma!). Somos turistas que acreditam que há de se ter um controle equilibrado da movimentação turística nas cidades. Diferentemente das cidades que passamos pela Argentina, de cultura muito viva, já não se encontra mais a essência e alma da população local e as relações são, antes de tudo, comerciais.

Importante:

O Viajante Maduro viaja como ideal de vida e profissão.

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