PADOVA, ITÁLIA, PARA ORAR E AMAR!

Centro histórico de Padova.

Partimos para mais uma cidade, agora é a vez de Padova, na nossa ‘Europe Trip’, como denominaram nossas filhas. De Verona a Padova são 90 km de uma bela, segura e bem sinalizada rodovia, como geralmente encontramos na Itália.

Padova, ou Pádua, possui mais de 200.000 habitantes, está localizada na região do Vêneto, no nordeste do país, e é capital da província do mesmo nome. Aqui está localizada a sétima universidade mais antiga do mundo, que é a Universidade de Padova.

Entre outras coisas, Padova é conhecida internacionalmente por ser a cidade onde Santo Antônio, famoso franciscano português que passou  naquela comunidade uma parte de sua vida  e faleceu em 1231, em 13 de junho, data que é festejada pelos paduanos como a festa del Santo. Mas nem somente personagens ligados à religiosidade viveram aqui. Galileu Galilei viveu 18 anos de sua vida neste lugar.

Padova foi um importante centro comercial na época do império romano, em 59 a.C. Chamada pelos romanos de Patavium, dizem que Pádua é a cidade mais antiga do norte da Itália. Foi devastada por um incêndio em 1174, perdendo muitos palácios. Com traçado urbano irregular, Pádua alterna grandes praças e pequenas ruazinhas pitorescas, especialmente na zona do velho gueto que foi restaurado e tornou-se o centro de galerias de arte, lojas de antiguidades e cafés. Até Shakespeare se rendeu aos encantos de Padova.

Per il grande desiderio che avevo di vedere | la bella Padova, culla delle arti sono arrivato… | ed a Padova sono venuto, come chi lascia | uno stagno per tuffarsi nel mare, ed | a sazietà cerca di placare la sua sete.

Atto 1, Scena 1, La bisbetica domata, Shakespeare

Aqui ficamos hospedados num hotel simples, mas acolhedor, e com bom preço. O Small Hotel Royal, localizado na Via Gattamelata, 29. Pode não ser o melhor hotel, mas atendeu às nossas expectativas, já que passaríamos somente uma noite no lugar e não estávamos querendo gastar muito.

Aceitando as sugestões que a amiga Fah Maioli (veja https://www.fahmaioli.com/) nos passou, deixamos o carro no estacionamento mais próximo do centro histórico e saímos caminhando até a Capela Scrovegni, que hospeda um celebre ciclo dos afrescos de Giotto, dos primeiros anos do século XIV, considerados como expoentes da arte ocidental.

Capela Scrovegni, com os afrescos de Giotto.

A história dos avós (Joaquim e Ana) e da mãe de Jesus, Maria, inspiram e comovem. Foi a primeira vez que vimos uma expressão de carinho e afeto entre um casal, pintada na parede de uma Igreja, como a imagem que podemos ver abaixo, onde Joaquim e Ana se acariciam. As paredes também apresentam uma intrigante coleção de imagens sobre os vícios e as virtudes do homem, sendo que o lado direito conserva as virtudes que levarão ao céu e o lado esquerdo os vícios que conduzirão o homem ao inferno, expresso na pintura chocante, que influenciou o autor da Divina Comédia, Dante Alighieri, o Juízo Universal.

No fundo da Igreja, o Juizo Universal de Giotto.

Havia comprado os ingressos com medo de não conseguir no dia, já que são limitados, para ter certeza de conseguir visitar o lugar. Por sorte, estava bastante tranquilo e pudemos visitar com calma a Capela. De qualquer forma, fica a dica: compre o ingresso antecipadamente, ainda mais no período de abril a dezembro, quando o movimento de turistas se intensifica por aqui.

Após nos deleitarmos com as pinturas de Giotto, com o acervo histórico da área e com a excelência na preservação desta história, rumamos a pé até o Mercado, passando pela histórica Universidade de Padova. Comemos um panzerotti (pão assado – também pode ser frito – e recheado) na rua mesmo, divino!

Os concorridos panzerotti, na tenda de rua “Da Prette”.

Muitos locais estavam fechados, por ser segunda-feira e por ser período de férias, baixa temporada. Sendo assim, não pudemos visitar internamente o Palazzo della Ragione (Palácio da Razão), mas a parte externa, circundada pelas Piazza delle Erbe, e Piazza delle Frutta, já vale a pena visitar, ouvir o conversar animado dos feirantes, sentir todos os aromas do que é comercializado no lugar e se imaginar neste e em outro tempo, no mesmo instante.

Mercado

Após, tomamos a Via del Santo e fomos visitar a Basílica Santo Antônio de Padova. Uns 20 minutos de caminhada leve, animados pela visão das lojas, dos prédios, das pessoas, das inúmeras bicicletas.

Basílica de Santo Antônio de Padova.

Sempre emociona encontrar um santo tão querido por boa parte dos brasileiros, especialmente para quem nasceu em Bento Gonçalves, município do qual ele é padroeiro.

Basílica Santo Antônio de Padova.

Após a visita de fé e encanto, fomos nos aquecer no histórico Caffe Pedrochi, situado na Via VIII Febbraio nº 15, considerado um dos mais lindos do Vêneto, famoso por estar sempre aberto, desde 1916.

Optamos por um chocolate quente para nos aquecer.

A noite, nos encontramos com amigos de nossas cidades e pudemos nos deliciar com o jantar especialmente preparado para este super encontro, afinal nada melhor do que encontrar pessoas queridas num lugar tão especial!

As pessoas não fazem as viagens, as viagens é que fazem as pessoas.

John Steinbeck

No dia seguinte nos despedimos de Padova com a certeza de que a cidade é linda, limpa, segura, acessível, organizada, com patrimônio preservado e serviços modernos, perfeito para viajantes maduros, como nós.  Queremos voltar!

 

Serviço:

Small Hotel royal – Via Gattamelata, 29 – € 39,20 por diária, para o casal. Reservamos via Booking.com

Cappella Degli Scrovegni – € 16,00 o casal – Reservamos via vivaticket.it

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