Por que você deve incluir La Serena e Valle del Elqui no seu roteiro

Fomos visitar La Serena, a segunda cidade mais antiga do Chile. Perto, também visitamos Vicunã, cidade localizada no Valle del Elqui e capaz de oferecer tanto aos turistas – é  a terra do pisco, do astroturismo, de grandes vinhos e capital mundial da astronomia. Aqui, contamos nossa experiência e provamos por que esta região deve fazer parte de seu roteiro no Chile.

Para chegarmos lá, saímos de Copiapó pela ‘Ruta 5’ novamente, em ótima estrada. Perto de nosso destino, entretanto, o deserto seco passa gradualmente a apresentar tímida vegetação. Pegamos até uma bela neblina no caminho!

A primeira dica de parada é a Caleta los Hornos, uma pequena e rústica praia e com uma paisagem incrível, há 36km de La Serena. Recomendamos a parada para fazer uma refeição em um dos muitos restaurantes do local, com comida boa e preços justos.

Em La Serena, ficamos Primeira Hacienda Hotel Boutique, uma excelente escolha. Um hotel de alto nível, com um preço um pouco mais caro do que os anteriores, mas com atendimento e estrutura excepcionais. O hotel é um ‘casarão’ com ambientação super agradável: é espaçoso e bonito. Oferece um ótimo café da manhã.

Conhecemos duas funcionárias do local, que nos deram diversas dicas de passeio. Joana, uma brasileira que viaja há um ano pela América Latina e que pretende abrir o próprio hotel-boutique em Ubatuba; e Mônica, uma simpática venezuelana que nos indicou o que fazer na cidade. A sócia-proprietária do hotel, Maria Angélica, também nos auxiliou na elaboração do ‘roteiro’.

Vale mencionar que a Secretaria de Turismo de La Serena foi a única a responder o nosso e-mail requisitando dicas de atrações.

Nosso primeiro passeio foi uma volta pelo centro histórico da cidade. Visitamos a Plaza de Las Armas, onde encontramos feiras de de artesanato e de produtos locais. Também estava acontecendo a Feira do Livro e da Leitura, evento bem organizado com vendas e debates de escritores.

Em seguida, caminhamos até a bela Catedral de La Serena, onde nos deparamos com um casamento acontecendo. Ao fim, nos chamou a atenção a aglomeração de pessoas do lado de fora da igreja esperando a noiva sair. “É alguém famoso?”, questionamos, e recebemos como resposta “Não, queremos ver o vestido e desejar congratulações”. Seguimos caminhando e encontramos a Iglesia de San Francisco, que por sinal também celebrava outro casamento. Este, entretanto, um tanto menos ‘pop’, sem pessoas esperando do lado de fora e de um casal mais ‘maduro’. Emocionados com a união do casal celebrada com uma música tradicional chilena, aplaudimos a saída do lindo casal.

Também fomos conhecer a Iglesia La Merced, a mais antiga da cidade. Informações esculpidas em uma pedra localizada na parte coberta indicam que a construção foi iniciada no ano de 1709. Mais de um século depois, em 1830, as obras foram retomadas e concluídas.

Em seguida, descobrimos um museu a céu aberto em uma rua arborizada com cerca de 30 esculturas em mármore, muitas das quais são reproduções de obras de Canova. Nos chamou a atenção o ótimo estado das esculturas, sem vandalismos e intervenções.

Coincidentemente, chegamos na cidade na época do Festival de La Serena, um belo festival de música da cidade. O evento gratuito atraiu grande parte da população em uma belíssima estrutura, com qualidade de som e de luz. Com avaliação de jurados, a cada ano a organização do festival também homenageia um músico reconhecido do país. Ano passado foi a cantora Violeta Parra; neste ano, a banda Los Prisioneros.

À noite, fomos ao Bar Moscatel, especializado em pisco, bebida que queríamos saber mais sobre. Lá, fomos muito bem atendidos por um garçom venezuelano. O segundo funcionário venezuelano que conhecemos no local em apenas um dia – o que nos chamou atenção ao grande número de jovens da Venezuela fugindo de seu país em procura de emprego. No local, experimentamos o tradicional pisco sour e o pisco malbec.

Fomos visitar o Museu Arqueológico de La Serena, mas estava em reforma e só tivemos acesso a uma parte. Ainda assim, fica a indicação.  Também tentamos visitar o Observatório Cerro Mayu, mas o local estava fechado para reparos.

No dia seguinte, fomos ao Valle de Elqui.

O Valle del Elqui é o maior atrativo da região; engloba o município de Vicuña e outros pequenos povoados. A primeira atração foi a Barragem Puclaro, uma espécie de represa que proporciona uma belíssima visão do Valle. No local, se pratica esportes radicais como windsurfe. Ao redor, é possível adquirir artesanatos e produtos locais. Notamos que o turismo propicia uma série de possibilidades de fonte de renda para os mais diversos tipos de profissionais.

De lá, fomos à Vinícola Falernia, fundada por um italiano. Provamos um bom vinho, mas o atendimento no decepcionou. Ainda assim, adquirimos dois vinhos que estamos curiosos para experimentar.  A vinícola é responsável por ‘liderar’ um impulso na elaboração de vinhos finos na região ao final do século XX.

Em seguida, visitamos a Cooperativa Pisco Capel, uma das maiores produtoras de pisco da região e detentora de diversos prêmios.  A Pisco Capel é uma associação de mais de mil produtores e que começou em 1938, quando um grupo de 30 pequenos produtores se uniram para produzir o melhor pisco em uma cooperativa igualitária e justa. Lá, visitamos o Museu do Pisco e aprendemos um pouco sobre a ‘disputa’ entre o Peru e o Chile pela denominação de origem da bebida. Experimentamos dois piscos: um branco e um amadeirado – também compramos um para levar para casa.

No centro de Vicuña, visitamos o Museu Gabriela Mistral e nos encantamos profundamente com a história desta poeta, escritora, educadora e diplomata. Não conseguimos conter as lagrimas ao revisitar a trajetória desta grande mulher, que pouco conhecíamos, mas que nos ‘arrebatou’ o coração. Uma poeta que se fez no pequeno povoado de Montegrande e, aos seis anos, fez seu primeiro poema – onde já refletia sobre a desigualdade social. Em 1951, Gabriela recebeu o Prêmio Nacional de Literatura do Chile. Também foi a primeira ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura da América Latina. A poeta tornou-se franciscana e ao fim da sua vida doou todos seus bens e direitos autorais de suas obras para as crianças de seu povoado. Abaixo, trecho de um de seus poemas mais marcantes, o “Desolación”.

La bruma espesa, eterna, para que olvide dónde

me ha arrojado la mar en su ola de salmuera.

La tierra a la que vine no tiene primavera:

tiene su noche larga que cual madre me esconde.

 

El viento hace a mi casa su ronda de sollozos

y de alarido, y quiebra, como un cristal, mi grito.

Y en la llanura blanca, de horizonte infinito,

miro morir intensos ocasos dolorosos.

 

¿A quién podrá llamar la que hasta aquí ha venido

si más lejos que ella sólo fueron los muertos?

¡Tan sólo ellos contemplan un mar callado y yerto

crecer entre sus brazos y los brazos queridos!

Posteriormente, visitamos o centro de Montegrande, onde conseguimos visitar a casa onde ela viveu e também um mausoléu, onde aprendemos ainda mais sobre a artista. Foi onde também pudemos ver com nossos olhos as montanhas, cerros, vinhas, vales, rios, e tudo mais que refletiu a identidade e esculpiu esse grande ser humano que ela foi.

No povoado Villa Seca, conhecemos os restaurantes solares. Auxiliados pelo forte sol, os pratos são preparados em fornos alimentados pelo calor solar. O primeiro que visitamos foi o Delicias del Sol e o segundo, o Entre Cordilleras Bar Restro. Não chegamos a fazer a refeição, mas fica a indicação de experiência gastronômica diferenciada.

No outro dia, fomos à Playa de La Serena. Por ser uma segunda-feira, esperávamos que estivesse mais vazia, mas estava lotadíssima. Afinal, estamos em fevereiro, pleno verão.

Partimos da praia e fomos novamente em direção ao Valle del Elqui, onde visitamos a bela vinícola boutique Cavas del Valle, pioneiro no alto do Valle de Elqui. Toda construída em adobe e de administração familiar, oferece uma ótima e instrutiva visitação conduzida por Verônica. Entendemos que neste território, por causa do sol intenso e da baixa umidade, poucas uvas resistem. Das rosadas, somente a moscatel rosada se adaptou; das tintas, a syrah, merlot, malbec e cabernet sauvignon.

Este conhecimento nos fez refletir sobre as adaptações do mundo frente ao grave aquecimento global e quais são as uvas que irão se adaptar em um futuro cada vez mais quente.

Saímos agradecidos pela experiência na vinícola com dois vinhos para levar para casa.

Astroturismo

A região de La Serena e de Vicuña oferece diversas opções para os interessados em astroturismo. Há 12 agências de observação de estrelas – duas delas sendo científicas. Optamos por visitar o o Centro Astronomico Alfa Aldea, passeio não científico, mas que oferece uma ótima experiência desde a recepção, com música e lanches até a observação, onde aprendemos mais sobre algumas constelações.

O céu da região é limpo e sem dúvidas um dos mais lindos do mundo!

Os hotéis já estão lotados por causa da observação do eclipse total do sol, que acontecerá no ano que vem.

Outras dicas

A partir de La Serena, é possível contratar em agências o tour para visitar a Isla Damas e observar baleias, golfinhos e até pinguins na ilha que fica próxima à cidade. Não chegamos a fazer, mas fica a indicação para os interessados neste tipo de passeio.

Por fim, também descobrimos que La Serena e as cidades em torno são uma região com muitas terapias alternativas. É um belo lugar para ficar mais alguns dias, se beneficiando de descontaminação digital e encontrar equilíbrio em uma das regiões mais belas do planeta.

A fantástica La Serena e o Valle del Elqui tem com muitas opções para todos os tipos de turistas. Ficamos em um ótimo hotel, como mencionado, em La Serena. Mas também existem diversas outras opções de hospedagem (inclusive hostels baratos) em Vicuña e região.

A nossa dica é: ao planejar a sua viagem ao Chile, vá além do tradicional roteiro de Santiago, Colchágua e Viña del Mar. A menos de 500km da capital, o país tem uma região com tanto a oferecer! A energia do lugar é fortíssima: as paisagens, o mar, o vale, as estrelas e, é claro, as histórias da cidade, nos marcou profundamente.

Importante:

O Viajante Maduro viaja como ideal de vida e profissão.

Esta matéria contou com a colaboração da jornalista Júlia Beatriz de Freitas.

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