Viagem e Dicas para Conhecer Açores, Portugal: “Um Destino Europeu no Meio do Atlântico”

Antes mesmo de conhecer o arquipélago de Açores, já éramos fascinados por ilhas, especialmente por estas. Víamos aqueles minúsculos pontinhos, no meio do Oceano Atlântico e imaginávamos como seria viver lá, o que teriam aquelas ilhas. Além disso, nós, brasileiros e, especialmente, gaúchos, temos forte ligação com este território devido à imigração que recebemos de açorianos. Quem não lembra, ao estudar a Capital dos Gaúchos, Porto Alegre, a fala sobre os “casais açorianos” que vieram colonizar este território?

Mapa dos Açores. Fonte: http://www.geopt.org/index.php/board/viewtopic.php?p=154468

Primeiramente, é preciso esclarecer que o imaginário das pessoas que não conhecem as ilhas não se aproxima, geralmente, da realidade. Ouvimos, dos moradores locais que muitos imaginam as pessoas caindo no Oceano, ou que sejam primitivas, desconectadas do mundo. Devemos esclarecer que, ao contrário, são extremamente desenvolvidas e, até certo ponto (já que a natureza é inconstante, dado estarmos numa região da falha tectônica), seguras. Possuem excelente infraestrutura, com boas e belas estradas (em geral, contornadas por hortênsias), ótimo sinal de internet e telefonia, aeroportos e portos em todas as ilhas, segurança, saúde (nem todas as ilhas têm hospital, é bom saber, mas todas possuem postos de saúde e, se necessitar de atendimento hospitalar é só chamar o barco, ou helicóptero,  para o transporte), além de diversas opções culturais e uma vida social intensa.

Tão rico é este território que fez com que tenhamos encontrado imensa dificuldade de definir seu título. Acabamos utilizando a frase de promoção do Governo de Açores, que descreve muito bem o que é este rico território: “Um Destino Europeu no Meio do Atlântico”.

Nesta viagem, pudemos conhecer 3 de suas 9 ilhas.  Neste longo post, construído com muito carinho, descreveremos nossa experiência nas cidades que circulamos por estas ilhas. Boa viagem!

Biscoitos, ou seja, cozidos duas vezes. Nome dado à rocha vulcânica, de forte presença e importante uso nestas ilhas. Aqui, as curraletas foram construídas para proteger a vinha do vento e da maresia.

Oficialmente descoberto em 1431, o arquipélago dos Açores começou a ser ocupado por portugueses no ano seguinte. Também recebeu algumas levas imigratórias. Formado por nove ilhas de origem vulcânica que se encontram dispersas ao longo de uma faixa com cerca de 600 km de extensão de Santa Maria ao Corvo e sensivelmente entre 37° e 40° de latitude norte e 25° e 31° de longitude oeste. Residem 246.772 pessoas (dados de 2011) neste território insular de 2 325 km², que está a uma distância de 1 600 km do continente europeu e 2454 km do continente norte-americano (Canadá).

As ilhas do arquipélago foram divididas em três grupos geográficos: o Grupo Oriental, composto por Santa Maria e São Miguel, o Grupo Central integra as ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial, e o Grupo Ocidental constituído pelas ilhas Corvo e Flores. Nossa visita se concentrou no Grupo Central, especificamente nas ilhas Terceira, Pico e Faial.

Dizem que os Açores, juntamente com os arquipélagos da Madeira, Canárias e Cabo Verde, formam a região biogeográfica da Macaronésia, designação que significa “ilhas afortunadas”. Depois desta leitura, entenderão que afortunados são seus habitantes e visitantes!

O tempo passa na janela. A tranquilidade e a qualidade de vida nos Açores.

A posição estratégica das ilhas fez com que o Império/Governo Português, e por um tempo o Império Espanhol, investissem muito em fortalezas militares, totalizando 161 castelos, fortes, e trincheiras. Hoje, muitas estão abertas à visitação turística e são testemunhas da história deste lugar que viu muitos navios pararem aqui para se reabastecerem.

Os Estados Unidos também utilizaram os Açores, especialmente a Ilha Terceira, como base militar. Atualmente, o Aeroporto de Lajes continua ativo, sendo compartilhado com a aviação civil. No entanto, a cidade já perdeu muitas famílias moradoras que movimentavam, e muito, a economia local, com a diminuição do contingente de militares no local (é possível que Trump altere isso 🙁 ). Construído especialmente para a Segunda Guerra Mundial, também foi utilizado na Guerra Fria e no combate ao terrorismo. De qualquer forma, o convívio local sempre foi amistoso e promoveu uma inserção de hábitos norte americanos na população local, tal como o jogo de golfe, amplamente difundido.

A agropecuária é forte, com gado de corte e leiteiro. Como diz a divulgação do Governo de Açores “em pleno Oceano Atlântico há um arquipélago onde até o tempo é mágico. Num momento está a chover e no outro um sol radioso. Assim nasce um imenso manto verde, que dá origem a um leite excepcional” este lugar é mesmo único, encantador e seu queijo é fantástico!

Os prados, as curraletas, as vacas leiteiras, o mar… Paisagem de encher os olhos de beleza e a alma de paz!

Uma música embalou nossa visita. Apresentada pela minha irmã Maria Luiza, tem uma letra singela e cita as brumas que nos envolveram e encantaram!

Ainda sinto os pés no terreiro 
Onde os meus avós bailavam o pézinho
A bela Aurora e a Sapateia
É que nas veias corre-me basalto negro
E na lembrança vulcões e terramotos
Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
Onde as gaivotas vão beijar a terra 

Está é, talvez, uma ode de amor a este território que tanto nos encantou. Para confirmar o motivo de nosso encanto, recentemente a Lonely Planet divulgou o ranking dos Top 10 destinos a visitar em 2017.  Lá está a região dos Açores. Merece!

Lindas paisagens dos Açores. Angra do Heroísmo, Ilha da Terceira.

Bem, vamos falar um pouco de cada ilha e suas cidades. De nossa experiência nestas ilhas. Vamos lá!

 

Madalena do Pico – Ilha Terceira

Chegamos com o voo da TAP, direto de Lisboa, após pouco mais de 2h30min de viagem. Já do alto, no avião, nos impressionou as paisagem. Sim, é fácil chegar aos Açores. Muitas opções de voos, desde Lisboa.

A chegada, por avião, impacta.

As inúmeras curraletas, como denominam as taipas que separam os territórios e protegem os vinhedos de fato impressionam. Dizem que se fossem alinhadas todas as pedras dos Açores, seria possível dar duas voltas ao globo terrestre!

As curraletas.

O voo da Sata

Voo tranquilo.

Como afirmam, aqui é um lugar perfeito para descansar, admirando o verde dos campos, o azul do mar, com suas baleias e golfinhos, e o negro das paredes de pedra vulcânica. Justamente devido à forte presença desta rocha, a Terceira é denominada de “Ilha Negra”. Estupendo!

Paisagem encantadora.

Ficamos hospedados no Villa Madalena, um residencial extremamente agradável, limpíssimo, com o acolhimento especial da Conceição que nos preparou um bolo quentinho, para nos aguardar na tarde, após as reuniões, acompanhado de um delicioso chá verde, originário dos Açores.

Vista desde o hotel!

Madalena do Pico foi eleita, recentemente, a Cidade do Vinho de Portugal, para o ano 2017. Pudemos provar vários vinhos,  com um toque mineral surpreendente! Dada a singularidade do território vitivinícola, sua paisagem da cultura da vinha foi classificada como Patrimônio Cultural pela UNESCO.

Madalena do Pico: Cidade do Vinho!

A vitivinicultura local se concentra na região dos “Biscoitos”, assim denominada devido a forte presença da rocha vulcânica preta, parecendo “cozida duas vezes”.

O tradicional vinho Verdelho dos Biscoitos, é um verdadeiro exemplo de uma “viticultura heroica”, como denominam o trabalho que vimos por aqui. Foram seus primeiros povoadores que iniciaram a produção, com a ajuda dos Jesuítas, pelo que nos contaram, vindo a expandir-se com a aventura marítima.

Da rocha, a vinha.
Da vinha, o vinho.

Também aqui a filoxera quase dizimou tudo o que se estava produzindo, mas foi retomada e com grande destaque, muito devido ao trabalho da adega cooperativa local.

A rocha e a vinha.

De fato, impressiona ver as vinhas surgindo da pedra. Em alguns casos basta furar a rocha e encontrar a terra logo abaixo, porém, contam que em certos territórios furaram a pedra e trouxeram terra de outras ilhas, para que a vinha pudesse ser plantada.

O milagre da vida. E a prova de que a videira é adaptável.

Apesar de ser banhada pelo Oceano, não há existência de praias com areia nesta ilha. O que existem são as fantásticas piscinas, formadas no meio das rochas vulcânicas. Surpreendemo-nos, no dia da chegada, com um senhor português com seus perceptíveis mais de 60 anos, tomando banho com 16º de temperatura. Feliz da vida!

O banho matutino. 16º!

Encantamo-nos com o Cella Bar, considerado “o bar mais bonito do mundo”, pelo portal de arquitetura Archdaily, em 2016. Logo no dia de nosso retorno ao Brasil, 27 de fevereiro, ficamos chocados ao saber que parte dele havia sido destruído pelas ondas que chegaram a 13m de altura. Felizmente, com o empenho de seus sócios (sendo um argentino), logo no dia 4 de março ele foi reaberto.

Cella Bar: o bar mais lindo do mundo!

Deliciamo-nos no Restaurante Ancoradouro, do José Pedro, referência nesta Ilha. Provamos os deliciosos frutos do mar preparados por aqui, como a tradicional Espetada de Peixe, a Cataplana de Frutos do Mar, o polvo e o atum. Adorei, particularmente, a batata doce gourmetizada.

Atum e batata doce.

A marca desta cidade é seu lindo moinho vermelho, junto aos “Biscoitos”, formando um contraste encantador entre o sua cor, com o preto das rochas e o azul do céu e do mar.

O moinho, marca de Madalena do Pico, contornado pelos vinhedos.

Nos encantamos com o pôr do sol, visto do hotel. Com o silêncio, só cortado pelo cantar dos pássaros e, em alguns casos, o rumor do mar. Pelos aromas de flores, lembrando mel, sempre presente.

A vista, desde o hotel. Paz!

Como estávamos numa missão turístico-profissional, também trabalhamos por aqui. Participamos da reunião com o Presidente da Câmara (Prefeito Municipal) e assessores das áreas do turismo e agricultura, promovida pela Associação dos Municípios Portugueses do Vinho – AMPV, representando a Associação Internacional de Enoturismo – AENOTUR. Na pauta, o desenvolvimento do enoturismo, de forma integrada e integradora.

Reunião na Prefeitura Municipal (Câmara).

Se queres ser global, cante a tua aldeia, já dizia Tolstói.  Lá também divulguei minha amada cidade, Garibaldi, “A Capital do Espumante Brasileiro”. Entreguei um kit local ao Prefeito (Presidente da C.M. Madalena) José Antônio Soares.

Sempre divulgando minha cidade: Garibaldi, RS, Brasil.

A ilha leva o nome do monte mais alto de Portugal, o Pico. Somente no último dia que lá estávamos, brevemente, ele se descortinou de suas brumas, como que para se mostrar e se despedir de nós, deixando a vontade de voltarmos para vê-lo melhor.

O Pico.

No último dia, ainda pudemos nos encantar com esta imagem: tão típico de nossas regiões, a presença do figo, ou da figueira, junto às videiras, aqui nos chama atenção pelo fato de ter que ser amarrado ao solo, evitando que seus galhos se elevem das curraletas que o protegem.

O figo protegido do vento e da maresia.

E continuamos impressionados, fazendo centenas de fotos destas rochas que abrigam videiras heroicas.

A rocha e a vinha. Vinhos únicos.

Voltaremos!

Partida de barco.

 

Lajes – Ilha do Pico

Aeroporto Internacional das Lajes e a Base Aérea Norte Americana, mencionados acima, estão localizados nesta freguesia. Também integrando a Ilha do Pico, Lajes é, também, encantadora. Aqui encontramos mais um lindo moinho, no caminho que nos levaria para uma reunião e visita ao Museu do Baleeiro.

Os moinhos dos Açores.

Aqui visitamos o Museu do Baleeiro, onde conhecemos mais e, de certa forma, entendemos a atividade de “caça à baleia” que aqui foi praticada até 1987, ano em que o último Cachalote foi capturado nas águas dos Açores.

Museu do Baleeiro.

De qualquer forma, no arquipélago a caça sempre foi artesanal, com a aproximação feita à vela e de arpão na mão. Olhando estes rostos e vendo o vídeo, foi possível ver que o alimento que escolhemos faz parte da cultura e da compreensão, da necessidade e do conhecimento.

Os baleeiros.

Assistimos a um filme que choca, pois ver um bicho deste tamanho sendo morto por menos de 10 homens, numa canoa, é triste, é quase desesperador, mas, como afirmamos, é difícil julgar o passado, melhor entender e nos voltarmos a um futuro mais sustentável.

Museu do baleeiro.

Entendemos que, para muitos, nestes anos, a baleia representava o sustento de toda a família. Por sorte, com a proibição da caça às baleias e o desenvolvimento do turismo, hoje ganham seus recursos com a observação da baleia, por exemplo.

O auditório do Museu do Baleeiro.

A ressignificação da baleia, por meio do turismo, é tocante. É a vida que segue!

A ressignificação da baleia. Agências especializadas na observação.

Fomos recebidos pelo Presidente da Câmara (Prefeito local) e Vereador do Turismo (Secretário) para uma reunião sobre o desenvolvimento do turismo e do enoturismo.

Reunião com o Presidente da Câmara (Prefeito) e assessores, juntamente com o Secretário Geral da AMPV e a representante da ARPV. Eu represento a AENOTUR.

Depois circulamos pelo centro da pequena cidade. Sempre lindamente cuidado.

Bucólico centro.

Cenas de paz e tranquilidade. Que tal morar aqui?

Que tal morar aqui?

A planta típica deste território, a Urze, cobre os campos. Ela é amplamente aproveitada, inclusive no cultivo da vinha.

A planta característica do território, utilizada na amarração dos parreirais: a Urze.

De volta ao mar.

O mar e a rocha.

Partimos para mais um município da Ilha do Pico.

 

São Roque do Pico

Mais um lugar encantador, a pequena Vila nos remete à cenas de filmes. As brumas balançavam no vento matutino, tornando a paisagem memorável.

São Roque do Pico.

Aqui visitamos o Museu da Indústria Baleeira. Explicações sobre as espécies que habitam estes mares, seus hábitos e, também, sobre a caça às baleias, já extinta, por fortuna. Entendemos que boa parte da renda com a caça era devida ao óleo, extraído da baleia, e não ao consumo da carne, considerada muito forte e consumida pelos mais pobres. O valor do marfim, do dente da baleia, só foi descoberto muito mais tarde.

Museu da Baleia.

Também aqui nos reunimos com o Prefeito (Presidente da Câmara) e seus assessores, para uma conversa sobre enoturismo, organizada pela AMPV.

Entrega da placa de associado à AMPV.

O monumento, em homenagem ao baleeiro, situa-se em frente ao atual Museu, onde eram trazidas as baleias no período da caça.

O baleeiro.

Na passagem, visitamos o  Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha do Pico, que se encontra instalado no coração do núcleo do Lajido de Santa Luzia, tendo resultado da reabilitação de um antigo armazém.

Constitui-se como o ponto de partida para a compreensão do valiosíssimo patrimônio cultural classificado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 2004. Neste espaço, está patente uma exposição permanente e um documentário sobre a Paisagem da Cultura da Vinha, um local para receber exposições temporárias, espaço comercial, uma área para a realização de provas de vinhos e, em exposição, um lagar tradicional (Fonte: Governo de Açores).

Estar aqui é como estar em um outro tempo.

O passado e o presente se veem refletidos em nossos olhos.

O espelho do tempo.

Encantados, finalizamos nossa visita à Ilha do Pico. Agora apresentaremos a Ilha Terceira.

 

Angra do Heroísmo – Ilha Terceira

Um bom local para se ter a dimensão da beleza desta ilha é o Forte de São Sebastião, ou Castelinho, como também é chamado. A vista, desde o forte, é estupenda! O forte foi disputado por espanhóis e portugueses, também foi ocupado por britânicos durante a segunda Guerra Mundial. Por aqui passaram as embarcações que se dirigiam ao Brasil e, ainda, Índia e África.

A cidade foi declarada, em 1828, a Capital da Província dos Açores, com o seguinte texto:

Tendo sido esta cidade condecorada com o título de: Muito nobre e sempre leal cidade de Angra, pelos feitos heróicos praticados por seus fiéis habitantes na restauração de Portugal em 1641, e tendo outrossim estas ilhas sido declaradas adjacentes ao reino de Portugal por alvará de 26 de Fevereiro de 1771, e ultimamente (1828) contempladas como província do reino, §. 1.º, artigo 2.º, título 1.º da Carta Constitucional: há por bem esta Junta Provisória, encarregada de manter a legítima autoridade d’el-rei o Sr. D. Pedro IV, declarar em nome do mesmo Augusto Senhor, que todas as nove ilhas dos Açores são uma só e única província do reino, e que esta cidade de Angra é a capital da província dos Açores. As autoridades a quem competir assim o tenham entendido, cumpram e façam executar: e o Secretário dos Negócios Interinos faça dirigir cópia deste decreto às estações competentes e autoridades na forma do estilo. – Angra, 28 de Outubro de 1828

Daí entendemos o motivo da cidade se chamar de Angra do Heroísmo.  História e memória.

 

A bela cidade de Angra do Heroísmo.

Dado o traçado, apesar da destruição provocada pelo terremoto de 1985, seu centro histórico foi declarado patrimônio da humanidade, pela Unesco.

A bela praia. Caminhar por estas ruas, com temperatura amena, ouvindo o bater das ondas na rocha… Paz!

Comemos as filhoses, um doce tradicionalmente frito,  mas também provamos ele assado e recheado. Lembra nosso sonho. Delicioso!

Filhoses.

O Café Restaurante Verdemaçã trazia a inscrição da música que embalava nossa visita. Espaço agradável,  com muitos motivos para focar a visão em sua decoração, frases, objetos… e as filhoses!

A música, o café, as ilhoses.

Nesta Ilha jantamos no restaurante “Casa de Pasto – A Canadinha” com um amigo do José, que trabalha no Museu local. Lotado, mesmo sendo uma segunda-feira. O que mais nos chamou a atenção foi o cardápio, que podemos chamar de “rodízio de cardápio”, já que ele é escrito numa grande placa, com rodinhas, que é lançada de um lado ao outro do salão, sendo apresentada aos clientes, em cada mesa, pelas garçonetes, extremamente ágeis, rápidas e atentas. O ambiente, por vezes caótico, cheio de locais,  é agradável, informal. Servem muita carne e alguns frutos do mar, em pratos fartos.

Cardápio inusitado

Para digerirmos o farto alimento, fomos caminhar pelo centro histórico, ainda mais charmoso sob a luz do luar.

Centro Histórico de Angra do Heroísmo.

A cidade, Patrimônio da Humanidade, evoca qualidade de vida.

O tempo passa mais lento por aqui.

Bem, a mesma ilha tem outra linda cidade. Hora de partir. Vamos lá!

 

Praia da Vitória

Nesta cidade tivemos o acompanhamento do João, licenciado em turismo (colega turismólogo), que nos apresentou com maestria e simpatia os encantos da Praia da Vitória. O tempo era pequeno, mas, como dizem, nada melhor do que começar a conhecer um local pela sua gastronomia. Fomos ao R3 Restaurante. A começar pela arquitetura e, principalmente, pelos pratos, a experiência foi fantástica.

R3 Restaurante.

Posteriormente, fomos convidados a conhecer o Museu do Vinho da Casa Agrícola Brum. Com entusiasmo fomos recebidos pelo Sr. Luis Brum, que nos deu uma (breve) aula sobre a produção de uvas e vinhos nos Açores, especialmente nos Biscoitos.

Constitui-se em um museu temático que procura apresentar aos visitantes os mais de quatro séculos de história da cultura da vinha na freguesia dos Biscoitos, e que se integra na tradicional paisagem de produção de vinho dos Biscoitos, atualmente Região Demarcada. Foi inaugurado em 2 de fevereiro de 1990, durante as comemorações do centésimo aniversário da Casa Agrícola Brum pelos herdeiros de Francisco Maria Brum, antigo produtor de vinha da freguesia dos Biscoitos.

Além da visita, tivemos o privilégio de degustar 3 de seus grandes vinhos.  Seus vinhos são enigmáticos. Disputados no mundo todo!

O Museu do Vinho da Casa Agrícola Brum.

Com conhecimento e alegria eles eram apresentados, harmonizados com os queijos locais. Experiência que merecia muitas horas e tranquilidade. Infelizmente, não dispúnhamos delas. Ainda assim, provar estes vinhos únicos, perceber a seriedade e a paixão do Sr. Luis Brum, são momentos que fazem uma viagem se tornar inesquecível. Começamos pelo vinho Donatário, das uvas Verdelho e Terrantez, servido na adega, harmonizado com o queijo local.

“É a pedra solta do basalto biscoito, que forma o entravessamento das curraletas, padrão dos povoadores do norte da ilha, símbolo de trabalho e de persistência, abrigo das cepas e acumuladoras de calor. Nascido da lava, no litoral, entre os Altares e as Quatro Ribeiras, este vinho foi produzido a partir de castas antigas, tendo sido vinificado com controlo de temperatura de fermentação. Tem um agradável equilíbrio de fruta e frescura. Deve beber-se fresco (8-10ºC)”

Donatário!

Após degustamos o Chico Maria, do tipo seco, licoroso, elaborado com as castas de Verdelho dos Açores e que alcança um teor alcoólico de 17%.

vinho

E, por fim, para que não esqueçamos jamais desta experiência!

“Fundada em 1890, a Casa Agrícola Brum tem inscrita na sua identidade a génese do vinho. Um sabor ancestral que surge na Região com os primeiros povoadores portugueses e a necessidade de suprir as naus da Rota das Índias que aportavam em Angra.
Apresentamos com esta garrafa a centésima oitava colheita da Casa Agrícola Brum, um marco de perseverança no meio de uma terra vulcânica de “biscoito”.
Um vinho branco licoroso, único, maior de idade e para ser apreciado com a sabedoria que lhe é devida.”

 

Memoráveis experiências! Importante citar que não conseguimos visitar a Adega Cooperativa dos Biscoitos, que faz um excelente trabalho na produção das uvas e dos vinhos.

Um brinde aos que fazem do vinho a sua vida! Ao Sr. Luis Brum!

Seguimos em nossa visita pela “Ilha Lilás” assim denominada devido à abundante presença das hortênsias. Nos deparamos com algumas cenas inusitadas, como o momento em que tivemos que parar o carro para a travessia do gado de leite. Como já mencionamos, estas ilhas são famosas pela qualidade de seu leite e por seus queijos e manteigas.

A travessia.

 

O João também nos falou sobre as touradas e fez questão de nos provar, dada nossa objeção inicial, o quão bem tratados são os touros, nos levando até um criadouro. Ressaltou que, durante a tourada, eles não são feridos. Vimos muitas imagens, nos diversos vídeos que passam nos locais públicos, como aeroportos, lojas, hotéis. Uma grande brincadeira, onde os ferimentos, pelo que pudemos ver, são leves e acometem os homens que provocam o touro. O animal leva uma corda amarrada ao pescoço para que, em caso de uma fúria maior, seja segurado pelos outros participantes da tourada.

Os admirados touros.

Também aqui nos reunimos na Câmara Municipal (ou Prefeitura), para mais um encontro onde debatemos sobre as estratégias para o fomento do enoturismo.

Reunião com AMPV, ARPV e AENOTUR.

Daqui, seguimos para outra ilha: Faial.

 

Horta – Ilha do Faial

Estivemos por pouco tempo na cidade da Horta, Ilha do Faial, situada no extremo ocidental do Grupo Central do arquipélago dos Açores, separada da ilha do Pico por 8,3 km (ou 4,5 milhas náuticas).  A ilha é conhecida por ilha Azul, designação que foi popularizada a partir da descrição de Raul Brandão em Ilhas Desconhecidas. É uma das sedes da Administração Regional e sede da Assembleia Legislativa Regional dos Açores.

Horta, Ilha do Faial, Açores, Portugal, Europa!

A ilha viu seu Vulcão dos Capelinhos se tornar ativo e expelir muita lava em 1957/58. O Vulcão localiza-se no extremo Oeste da ilha, que também pode ser considerado o extremo Oeste da Europa. Lá, junto ao farol já existente, foi construído um Centro de Interpretação, bastante visitado por turistas de vários cantos do mundo. Quando lá estivemos, uma escola local fazia a visita com seus alunos, crianças que se tornaram planetas numa pedagogia efetivamente interativa e construtiva.

Centro de Interpretação do Vulcão Capelinhos.

O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos (CIVC) tem caráter informativo, didático e científico, dispondo de um conjunto de exposições, com especial destaque para a erupção do Vulcão dos Capelinhos e a formação do arquipélago dos Açores, mas também nos diversos tipos de atividade vulcânica no mundo e a história dos faróis açorianos.
Foi nomeado pelo European Museum Forum, para melhor museu da Europa no ano de 2012.
O edifício encontra-se soterrado, de modo a não interferir com a paisagem pré-existente, permitindo desfrutar desta recente paisagem vulcânica originada pela erupção de 1957/58. Para além de um conjunto de exposições, o Centro dispõe de um auditório e de uma exposição temporária de amostras de rochas e minerais.
No final da visita, suba ao Farol, onde é possível desfrutar desta paisagem singular (fonte: Governo dos Açores).

Visualizar a paisagem ainda coberta de cinzas do vulcão, o que impede que por enquanto, exista vegetação no local. Imaginá-lo ativo. Visualizar a ampliação da área de terra da Ilha, devido as lavas que se acumularam. Tudo isso nos faz pensar na força da natureza.

Área coberta das cinzas deixadas pelas lavas do Vulcão Capelinhos.

O Farol, inaugurado em 1903, sobreviveu ao Vulcão e, em 2006 voltou a ser ativado e hoje integra a área do Centro de Interpretação, forte e imponente.

Farol

Aqui também realizamos uma importante reunião com a presença da Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo  Marta Guerreiro e mais dois diretores (turismo e ambiente), juntamente com representantes da AMPV,  ARPV e AENOTUR,  para traçar a rota doas vinhos dos Açores.

Reunião ocorrida no Centro de Interpretação do Vulcão Capelinhos.

Após a reunião e a visita ao Centro de Intepretação, pudemos percorrer a Ilha, visualizando sua paisagem banhada pelo sol. Novamente se observa a forte presença do gado leiteiro, além do de corte, do verde que cobre a terra e da harmonia das construções.

Paisagem da Horta, Faial.

Visitar a Horta e não conhecer o Peter Café Sport é um crime. Os velejadores sabem disso e afirmam: “Se velejares até à Horta e não visitares o ‘Peter Café Sport’, não vistes a Horta na realidade“.  Assim, lá fizemos nosso reconhecimento e ficamos encantados com a alma deste lugar.

Café Sport, símbolo do andar dos homens livres por um mundo belo e extenso sem fronteiras de raça nem de costumes (…). (Jacinto Vilaomier, in: “Azul Profundo”, 1990.)

Em 1986, a revista Newsweek considerou-o entre os melhores bares do mundo.  Desde do início da década de 1960, quando assumiu o negócio da família, José de Azevedo “Peter” tornou-se a referência na arte de bem receber os iatistas e por lhes prestar assistência quando de passagem pela baía da Horta.

O lendário Peter Café Sport.

Histórias e memórias desta ilha encantadora são ouvidas e referendadas por todo lado. Do taxita ao barqueiro. Do dono do bar ao garçom.

A cidade da Horta se apresenta, na chegada à Ilha do Faial, Arquipélago de Açores.

Partimos encantados. Voltaremos…

Inspiração!

Detalhes que tornam este lugar ainda mais encantador. Curiosidades!

  1. Carnaval

Invejei o Carnaval dos Açores. Diziam: ‘ no Carnaval tudo pode”, mas havia um bom senso e uma inocência que perpassava a afirmação, o que deixava a todos felizes e seguros. Mais de 60 grupos de teatro se apresentam em mais de 40 salas das ilhas. Idosos fantasiados, jovens se preparando para a ‘tourada’ fictícia e o adorável desfile infantil, das escolas, com fantasias e serpentina. A crítica social e política na pauta dos teatros, sempre com o bom humor. Um carnaval repleto de amor!

Assim, em qualquer hora do dia, em qualquer esquina, as pessoas caminham fantasiadas e felizes. Uma grande brincadeira nesta semana de Carnaval.

2. Carnaval 

Comum encontrar pessoas de idade avançada viajando, de avião, de barco, de ônibus, de trem. Não importa o meio de transporte, lá estão eles, com suas bengalas ou bastões de caminhada. “A vida é para ser vivida, não vale a pena parar,” me disse uma idosa senhora.

Longevidade.  Viajantes (bem) Maduros em Madalena do Pico.

3. Valorização do Produto Local

“Açores, o seu destino de negócios” ou “Consuma produtos dos Açores”, frases assim estão presentes em muitas publicações. A população local super valoriza seus produtos e, consequentemente, o turista.

Esse orgulho e essa alegria em bem servir, expressas nesta foto com Luis Brum.

4. Qualidade de Vida

A qualidade de vida está expressa em vários detalhes, no capricho das praças, no cuidado com o mobiliário urbano, no respeito à natureza, na cultura ativa, na felicidade sentida.

Qualidade de vida. Tudo no capricho!, Madalena do Pico.

 

5.  Paisagem

A paisagem é única, devido às rochas vulcânicas, a dança das brumas, a urze, o azul do mar se encontrando com o azul do céu, o vermelho das construções… Vale ver com os próprios olhos. Impossível descrever tudo!

A paisagem única.

6. A Ilha do Corvo

Não conseguimos visitar esta Ilha, mas tenho grande curiosidade por conhecê-la. Pensar que lá habitam somente 430 pessoas e que, ainda assim, ela possui toda a estrutura necessária para o bem-viver, inclusive com aeroporto e porto, além de internet disponível em toda ilha. É fantástico!

7. O bom humor

O bom humor do português se expressa em vários momentos, inclusive nas portas dos banheiros, sempre com sátiras sobre as coisas da vida, de ser gente.

O humor se expressa nos banheiros, ou casas de banho, portugueses.

8. As Festas do Divino Espírito Santo

Uma das mais tradicionais festas dos Açores, mas, também, uma das expressões da arquitetura popular mais presente. Inúmeros teatros, casas ou Impérios do Espírito Santo foram construídos, mantendo a tradição viva e encantando aos turistas.

Divino

A Festa do Divino Espírito Santo é uma realidade profundamente ligada à alma açoriana. Trata-se de uma forma de religiosidade popular impregnada dos mais puros e genuínos princípios cristãos, alicerçada numa pluralidade de manifestações de amor ao próximo, que passam pela partilha de bens, pela solidariedade social e pela gratidão (Fonte: Governo dos Açores).

Império do Divino Espírito Santo.

9. O lixo

Super organizado o sistema de coleta de lixo.  Lixeiras repletas, antes da coleta, mas bem organizadas, cobertas e com adequado uso do mobiliário urbano.

lixeiras

10. Os voos

Muito fácil e rápido visitar os Açores.  Para se ter ideia, nos voos internos, tomamos um voo, da Sata, da Horta até a Terceira, partindo às 14h10min e chegando às 14h45min. Não tem lugar marcado.

De ou até Lisboa, a duração é de 3h10min, dependendo da Ilha. Da Terceira tomamos o voo de volta a Lisboa. Partimos às 19h20min e chegamos às 22h30min.

 

11. A Arte

A arte se manifesta de várias formas  e está sempre presente, favorecendo a convivência e a harmonia.

Arte pelas ruas. Obra de Luis Brum.  https://www.facebook.com/luisfpbrum/?fref=ts

 

Informações:

Villa da Madalena: http://www.villadamadalena.com/

Cella Bar: https://www.facebook.com/cellabar/http://www.cellabar.pt/

Restaurante Ancoradouro https://www.facebook.com/pages/O-Ancoradouro/204285886405955

Casa de Pasto A Canadinha – Avenida Infante Dom Henrique 24 E, Angra do Heroísmo. 

R3 Restaurante – http://www.r3-restaurante.com/

Verde Maçã – https://www.facebook.com/verdemacaacores/

 

Para ouvir e ver:

Trilha sonora: Ilhas de brumas – ver música https://www.youtube.com/watch?v=kpKpyBpcmnQ

Assista ao Globo Repórter (http://g1.globo.com/globo-reporter/videos/t/integras/v/globo-reporter-acores-14102016/5378729/) para entender um pouco mais o que tivemos dificuldade de explicar neste longo post.

Infelizmente não haverá outra primeira vez, onde a emoção da descoberta, o encantamento com o novo, com o único, faz com que o corpo, mente e alma se renovem! Ou haverá? Ouso pensar que visitar os Açores é como estar vivendo a emoção da descoberta, repetidas vezes, tal a exclusividade deste destino. Voltaremos!

Conheça nossa história:

No início de 2017 nos permitimos vivenciar uma experiência por 4 países da Europa. Veja post aqui e conheça nossa história.

Viajar é mais do que a visão de pontos turísticos, é a mudança que acontece, profunda e permanentemente, no conceito sobre o que é a vida. (Miriam Beard)

Importante:

Viajamos para Portugal atendendo o convite da Associação dos Municípios Portugueses do Vinho – AMPV e, ainda, representando a Associação Internacional de Enoturismo – Aenotur, da qual a Ivane Fávero é Vice-Presidente da América Latina. Ainda assim, obviamente, a opinião aqui expressa é a nossa verdade! A autoria das fotos é de Ivane Fávero e, excepcionalmente, de Rômulo de Freitas.

Agradecemos ao amigo José Arruda por todo apoio.

Amigos!

 

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