UMA DECLARAÇÃO DE AMOR (E UM PEDIDO DE DESCULPAS) À ILHA DA MADEIRA, PORTUGAL.

Desculpa-nos, Ilha da Madeira! Faltou tempo para te conhecer mais profundamente, para te fotografar como mereces, com tempo e com vagar, percorrendo tuas curvas, entendendo teus altos e baixos.

O lindo pôr do sol na Capital da Ilha da  Madeira, Funchal.

Faltou tempo para contemplar tuas diferentes cores e provar todos os teus sabores. Faltou tempo para mais um brinde com teu precioso e único vinho. Faltou tempo para percorrer o mar que te cerca e visitar as tuas ilhas vizinhas. Não conseguimos fazer o percurso que melhor te desvendaria em outro olhar, a partir dos teleféricos.

Teleférico do Funchal, Ilha da Madeira. Vale fazer! Para nós, faltou tempo ou coragem?

Tempo para entender o teu lado europeu e o teu lado quase tropical, um tanto ‘brasileiro’. Tempo para perceber que, em cada altitude, tens um cheiro, uma vegetação, uma mescla de cores, o que faz com que a paisagem surpreenda a cada 10 minutos de percurso.

Da cana de açúcar, passando pelos vinhedos, até o alto dos montes nevados, durante o inverno. De 0 até mais de 1.800 metros de altitude.

Tempo para perceber as tuas parecências e, por um momento, imaginar que estamos no Rio de Janeiro e, logo depois, ter a impressão de estarmos em Gramado e, a todo instante, sentir que estamos num lugar único.

A vista a partir do restaurante que fica junto ao Teleférico. Lembranças do Rio de Janeiro.
Hotel… o cheiro, a visão, tudo me remetia à Gramado – RS. Em poucos minutos, a mudança da paisagem, devido às diferenças de altitude, é fantástica.

Ainda assim, apesar do pouco tempo, te usufruímos e te amamos!

Mas tivemos tempo, sim, para provar tuas famosas bananas, descobrir que o teu milho frito é, nada mais, nada menos, do que nossa polenta frita.

Quando me ofereceram provar o ‘milho frito’ fiquei pensando em uma espiga frita, algo assim… Aí chegou a nossa tão conhecida ‘polenta frita’. 🙂 Ah… Até tremi a foto! E estava boa!

Comer e adorar teu ‘bolo do caco’, feito de batata doce e recheado, geralmente, com muita manteiga e alho.

Bolo do Caco. Iguaria da Madeira.

Não entendemos bem porque nesta terra cercada de mar por todos os lados, e com tantos peixes, seus habitantes, consome tanta carne e tem muitas churrascarias, conhecidas aqui como ‘espetadas’, onde a carne de gado, e outras também, vem cortada em pedacinhos, temperada com alho e pendurada em círculos de ferro, dispostos no meio da mesa. Dizem que a mais tradicional seria espetada em galhos de louro, o que lhe daria um sabor único.

Também pudemos provar teu bolo de mel de cana, o nosso melado, e nos deliciarmos com este bolo que, como nos disse o garçom, ‘quanto mais velho, melhor, pois fica mais úmido’.

Pudemos visitar o teu Mercado Público e nos encantarmos com o burburinho, formado pelos vendedores e pelos clientes, principalmente turistas alemães. E tuas frutas, ah, aromáticas, intensas e diversas! Flores exóticas, cores, aromas e sabores, mais uma vez tão presentes!

Mercado Público da Madeira.
Estas frutas todas encantam os turistas alemães e ingleses, principalmente! Encantam a todos nós, ainda que tenhamos exuberância de frutos no Brasil, sempre se descobre algo novo.
Deliciosas!

Também deu tempo para nos encantarmos com tuas pessoas, Madeira! Como são amistosos, como são acolhedores! Fizemos amizades e recebemos gestos que ficarão gravados em nossa memória, como o Leonel, que fez questão de nos levar para sua casa, para nos entregar um livro que possuía, quando percebeu nosso interesse pelas histórias locais.

Amigos além mar.

Deu tempo para visitar o Museu de teu ilustre cidadão, o Cristiano Ronaldo, e brincarmos de jogar bola com ele ou lançarmos ‘um charme’ para o grande jogador.

Cristiano Ronaldo merece ter um museu só para ele.
Não jogo nada, mas vale a brincadeira.
E vê se segue fazendo o bem e apoiando as boas causas, heim Cristiano Ronaldo!
Junto ao museu, o hotel do Cristiano Ronaldo.

De visitarmos o Museu da Imprensa, em Câmara de Lobos, e nos encantarmos com as histórias contadas pelo seu diretor, pelos rótulos de vinhos e pelas máquinas que já operamos em nossas vidas profissionais.

Museu da Imprensa. Tanta coisa linda e importante, numa ilha tão pequena e rica.

Pudemos degustar teus vinhos Madeira e saber que os secos, que mais gostamos, tem algo de maresia em seus aromas e sabores, podendo até acompanhar alguns pratos salgados.

O vinho Madeira!

De visitarmos três de tuas vinícolas e nos encantarmos com as histórias do vinho Madeira e com este produto singular.

Visita à Henrique & Henriques, com amigos que fizemos nesta caminhada.
Barbeito, a pequena vinícola que prima pela qualidade!
Encantados com a degustação orientada por Ricardo Barbeito. Vinho Madeira com ‘biscoti’.
As brumas se pronunciavam nesta vista da Vinícola Barbeito.

De nos impressionarmos com os transatlânticos e percebermos que os alemães te apreciam muito. Quantos estavam te visitando, querida ‘Pérola do Atlântico’!!! Mas, reconhecemos, faltou tempo para passearmos na réplica da nau Santa Maria, que na viagem de descobrimento da América era comandada por Cristóvão Colombo.

Cruzeiros chegam semanalmente à Ilha da Madeira e ficam em torno de 2 dias usufruindo seus encantos.

Também pudemos caminhar por teu centro histórico e nos encantarmos com as portas pintadas com as mais lindas artes.

As portas são pintadas com os mais variados temas.

De ouvirmos o fado sendo entoado em tuas vielas e em teus restaurantes. Caminharmos pela Rua Santa Maria e nos encantarmos com suas histórias, observando seus bares e transeuntes.

O fado nos encanta.

Também foi possível nos encantarmos com tuas hortas, dispostas em degraus, ou terraços, como já presenciamos no Peru, e apreciar tuas bananeiras, tua cana de açúcar e teus vinhedos. Tudo tão sustentável, harmonizando o urbano e o rural.

Cada pedaço de terra tem que produzir, afinal é tão pequena a Ilha.
E as bananeiras produzem deliciosas bananas, em meio às casas e prédios.
E a cana-de-açúcar é transformada em açúcar e em aguardente de cana, a nossa cachaça levou daqui o conhecimento.

E tuas flores, enfim, vimos cores na Europa! E ficamos tão curiosos para conhecer tua “Festa das Flores”.

As mais belas flores.

De nos hospedarmos num de teus hotéis, que adoramos… De lá podíamos te ver de outro ângulo, que ainda mais te valorizava. De lá vimos o pôr do sol e o acender das primeiras luzes dos prédios que formam tua maior cidade, Funchal. Encantador!

O sol pinta de dourado a cidade, no entardecer.
E é mágico ver o sol desaparecer as luzes se acendendo em cada casa, em cada história de vida.

Madeira dos táxis amarelos. Pudemos apreciar o esforço de sua população para ser o mais sustentável possível, para reciclar seu lixo seco e fazer compostagem do orgânico.

Os carros são trazidos de navio, o custo é maior. Sendo assim, são aproveitados por muitos anos.

Madeira do ar puro e úmido. Madeira da velha senhora que caminhava na beira de estrada, com seu lenço na cabeça, com as costas encurvadas, a bengala na mão e que me remeteu a outro tempo … tão absorta fiquei que nem lembrei de fotografá-la! Mas esta imagem não sairá de minha retina

Mas para te ver melhor também tomamos coragem e subimos ao Miradouro do Cabo Girão, que construíram só para te apreciar melhor.

Miradouro do Cabo Girão.
A vista, desde o Miradouro, permite entender a luta dos moradores locais por aproveitar cada pedaço de terra e, deste, colher seus alimentos.

Deu tempo para nos encantarmos com as cores das águas do teu mar e ficarmos loucos para voltar no verão e mergulhar nas tuas piscinas naturais.

O azul do mar encontra o azul do céu.
Nos dias quentes, locais e turistas aproveitam para se banhar nas águas das piscinas naturais. Até salva vidas há no período de verão.

Tanto nos ensinaste! Aprendemos que aqui já produziam ‘mel de cana’, ou melado, antes de 1500, quando o Brasil foi ‘descoberto’. Importante salientar que o Arquipélago da Madeira foi descoberto em 1419.  Também entendemos que aqui fazem ‘aguardente de cana’, como a nossa cachaça, e fazem a ‘poncha’, muito parecida com nossa caipirinha.

O Bar Sete Mares serve a melhor poncha da Madeira. Ao menos das que provamos foi a melhor!
O preparo da Poncha faz parte do encantamento da bebida.
As porções são individuais e coadas.
A opção feita com maracujá encanta os turistas. De fato, é deliciosa!

No novo dia, após uma bela noite de sono, foi possível conhecer mais sobre ti, Madeira. Ah, descobrimos que tens um véu de noiva. Lindo!

Cascata Véu de Noiva.

Como tínhamos algumas reuniões e conferências agendada na Câmara de Lobos e no Funchal, aproveitávamos o tempo entre um e outro compromisso para conhecermos e nos encantarmos com a Ilha.

Mar, praia e rocha. Altos e baixos da Madeira.
Mesmo passando de carro, entre um compromisso e outro, era impossível evitar a tentação de fotografar mais uma linda paisagem.
Viajantes Maduros encantados!

O fato de estarmos numa Ilha,  com um comprimento máximo (oeste-este) de 53,90 km e uma largura máxima (norte-sul) de 23 km, nos impressionou. O mar por todos os lados! Estamos ilhados! Várias vezes brincamos, neste sentido.

O mar é visto a todo momento. Lindo e encantador, com seus diversos tons de azul.

A paisagem única e os seus azuis do mar ao céu.

50 tons de azul! 😉

O vinho Madeira, tranquilo ou fortificado, também abre espaço para os excelentes vinhos de Portugal.

O excelente vinho, do Douro, harmonizou com o atum fresco. Para a foto, a composição foi com o Bolo do Caco.
A Madeira também já faz bons vinhos tranquilos. Este tinto foi o melhor que provamos.

O mar segue avançando sobre as rochas vulcânicas. O arquipélago da Madeira e sua principal Ilha, batizada com o mesmo nome, seguem amanhecendo e anoitecendo, encantando aos milhares de visitantes de todo o mundo. Voltaremos, Madeira, para podermos nos curtir mais e melhor. Até breve!

Uma vez por ano, vá a algum lugar onde nunca esteve antes. (Dalai Lama)

A ilha da Madeira faz parte de um arquipélago descoberto e pertencente a Portugal desde 1419, quando foi descoberto por Tristão Vaz, João Zarco e Bartolomeu Perestrelo. A ilha passou a ser porto de parada para quase todo o navegador português que viajava em direção a África, Índia ou Brasil. Por aqui passaram nomes como Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Gil Eanes, Pedro Álvaro Cabral e Cristovão Colombo, que viveu aqui durante muitos anos e casou-se com a filha do governador local. Atualmente, a população da Ilha é de 250 mil habitantes.

Adoramos descobrir que, por aqui, a bananeira é amplamente utilizada. Após secar as fibras de suas folhas, estas são utilizadas na amarração das videiras e, ainda, na vedação das barricas e tonéis que irão receber o vinho.

Dicas importantes para você, leitor do Viajante Maduro:

De fato, para conhecer melhor a Madeira são necessários, no mínimo, 5 dias. E chegar até ela é muito mais fácil do que se pensa. Basta pegar um voo desde Lisboa, que dura por volta de 1h45min e custa em torno de R$ 400,00, claro dependendo o período isso pode alterar. Na Ilha, opte por locar um carro e mova-se por sua pequena, mas rica, extensão.

Circule pelas diferentes cidades e freguesias da Ilha da Madeira, além da Capital Funchal. Devido ao acidentado relevo, inúmeros túneis foram construídos, contando com o apoio da União Europeia, para ligar uma cidade a outra, em pouco tempo.

Não se atenha somente aos bares e restaurantes turísticos. Informe-se com a população sobre os locais que ela frequenta.

Ficamos no Four Views Baía. Excelente opção de hospedagem, um pouco acima do preço que havíamos nos estipulado, mas valeu a pena (em torno de € 80,00). Rua das Maravilhas, 74, Funchal, Ilha da Madeira. www.fourviewshotels.com

Outra opção de hospedagem que visitamos (não nos hospedamos) é o Hotel Quinta da Serra, que conta com um excelente restaurante com cozinha internacional e biológica com vista sobre os jardins do hotel. http://www.hotelquintadaserra.com

Se bater a saudade da comida brasileira, vá até o Grill House, Churrascaria O Pasto, que diz ter o ‘melhor rodízio da Madeira’. Servem arroz, feijão e churrasco.

Assistimos à apresentação de fado no Arsénio’s Restaurante, que fica na Rua de Santa Maria.

O ingresso para o Museu do Cristiano Ronaldo custa  € 5,00. Vale a visita!

O tempo é percebido por aqui. A vida é vivida!

Conheça nossa história:

No início de 2017 nos permitimos vivenciar uma experiência por 4 países da Europa. Veja post aqui e conheça nossa história.

Importante:

Viajamos para Portugal atendendo o convite da Associação dos Municípios Portugueses do Vinho – AMPV e, ainda, representando a Associação Internacional de Enoturismo – Aenotur, da qual a Ivane Fávero é Vice-Presidente da América Latina. Ainda assim, obviamente, a opinião aqui expressa é a nossa verdade! A autoria das fotos é de Ivane Fávero e, excepcionalmente, de Rômulo de Freitas.

Agradecemos ao amigo José Arruda por todo apoio.

Reuniões da AMPV, ARPV e AENOTUR. Acima de tudo, amigos que o vinho aproxima.
Reunião para falar sobre enoturismo, com a Secretaria REgional da Economia, Turismo e Cultura – Direção Regional do Turismo – Região Autônoma da Madeira. Também participaram parceiros de outras entidades. Juntos pelo vinho, pelo enoturismo.

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